25 agosto 2007

Fashioning The Self


(1962) Andy Warhol, # 204 Marilyn Diptych, Acrílico sobre Tela, 205,4 x 144,8 x 2 cm,
Tate Gallery - Londres.
Segundo Richard Brilliant,
"The effective combination of mechanical or electronic reproduction and tendentious redudancy has been deliberately exploited by Andy Warhol in a number of Pop portraits of the 1960s, such as his huge Marilyn Diptych in the Tate Gallery. Fifty identical images of the actress-celebrity, Marilyn Monroe, slightly modified by colour and tone, are deliberately shown together in a single work, almost fourteen feet wide, to make a statement about the banality of popular imagery, about the insistent stereotyping of such images, about figural and non-figural pattern formation, about mechanical printing - but very little about Marilyn Monroe (itself an alias). Warhol's Marilyn is about image-making rather than portraiture because the work so clearly emphasizes the mechanism of popular representation in the modern age but not the person represented.
Here, and elsewhere, Warhol seems to deprive the portrait of much of its deeper referential content in order to suggest both the artificial confection of her public personality and the relative invisibility of the person behind the public image, the latter offered as a commodity for the viewer's consumption. Yet his Marilyn retains her identity in the public consciousness despite the fact that her image has been reduced to her smiling face with its crown of blond hair, unsupported by the voluptuous figure that was no less an essential part of her persona. Warhol's concentration upon Marilyn's image-sign, and his replication of it, forces the viewer to connect this art work with the broader phenomenon of mechanical reproduction that inevitably erodes the status of an original, even the original in the portrait. Yet, the viewer has no difficulty in providing the name of that original because the artist has retained enough of her synthetic image to make identification certain. So familiar have her features become through repetition that the denotative power of her image is absolutely firm, even without a label." *
O que eu acho interessante nesta obra de Warhol é o fato dela ser um díptico, ou seja, não é por acaso que o artista escolhe colocar lado a lado um conjunto de "retratos" coloridos de Marilyn Monroe e outro em preto-e-branco. A análise de Brilliant me parece estar correta, mas é preciso enfatizar este aspecto dual da obra. É por meio dele que se constrói a idéia da obra ser sobre o fenômeno da produção imagética (que, em última medida, fabrica personalidades...) e não um mero retrato da artista-celebridade. Sem esse elemento que contrasta os dois padrões distintos de reprodução da imagem o sentido da obra permaneceria vago.
*Brilliant, Richard. Portraiture. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1991, pp. 47-49.

23 agosto 2007

Para Minhas Colegas Antropólogas...

(1970) Irving Penn, Claude Lévi-Strauss, Burgund

30 julho 2007

29 junho 2007

Bricolagem?


Karl Blossfeldt (1865-1932)


O Palette tem para mim, ainda mais depois da reestruturação visual a que foi submetido, uma conotação dandy muito forte. Aqui, o gosto de escrever sobre arte é um pouco como quem vai decorando um cômodo, escolhendo cuidadosamente cada elemento, de acordo com as inúmeras possibilidades de combinação que ele oferece com os elementos anteriores, muitas vezes sugerindo ou exigindo mesmo uma reorganização do espaço, de modo a se adaptar a um novo todo, repensado e um pouco mais auto-consciente. É óbvio que isso não é o mesmo que praticar a História da Arte, ainda que em outros momentos do passado as duas atividades tenham se identificado e ainda hoje muitos não consigam ver a diferença que separa os dois tipos de atividade. Contudo, a História da Arte não é simplesmente diferente ou o oposto do que se faz aqui, ela é mais do que isso. Talvez a forma correta de se designar o presente exercício seja caracterizá-lo pura e simplesmente como Crítica de Arte, ainda que o termo exija ulteriores especificações. De qualquer forma, acredito que o que se faz aqui é um tipo de crítica de arte de tipo dandy, sem maiores pretensões à uma sistematização e um rigor histórico que somente o exercício pleno da História da Arte, partindo do presente esforço crítico, poderiam fornecer.

Para os propósitos do Palette Des Muses, o que vale aqui é um esforço pessoal de me libertar de um certo ambiente vulgar que encontro na realidade politico-social vigente, que procuro fazer reagir com um pouco da substância do instinto sensível que me preenche sem que eu mesmo possa dizer para que lado deverá correr a reação. Minha única interferência ocorre, como não poderia deixar de ser, na escolha das palavras certas pelas quais esse veio vem a jorrar. Misto de consciência a posteriori com um pouco de sensibilidade inata, o fazer do Blog se torna também o necessário cultivo dessa sensibilidade que, como um pequeno germe de vida, morreria pura e simplesmente sem o devido cuidado e proteção. Assim é com as nossas "mais sinceras paixões". As veias mais latentes são, às vezes, as que mais se manifestam; outras vezes não.
A imagem acima mostra uma fotografia de elementos naturais que muito influenciaram o espírito da Art Nouveau. Um de seus principais objetivos era buscar na natureza por formas que renovassem o repertório histórico já bastante percorrido e desgastado da arte ocidental. Talvez justamente por isso que as brilhantes soluções muitas vezes encontradas ainda conservassem muito dos princípios básicos do classicismo, como o equilíbrio formal e a simetria das formas. Quando se quer ir adianta, num momento de impasse, muitas vezes faz-se mister voltar-se para as raízes mais básicas, simplificando e depurando o que é possível de um lado e buscando soluções contíguas em novos meios como, no caso, a própria natureza, ou o aço e o vidro, elementos muito utilizados pelo movimento.

11 junho 2007

No Dia dos Namorados, Para a Minha Amada Paula


(1923) Eugene Atget, Grand Trianon, Le Temple de L'Amour À Travers Les Arbres


Andrew Marvell (1621–1678)


To His Coy Mistress


HAD we but world enough, and time,

This coyness, Lady, were no crime

We would sit down and think which way

To walk and pass our long love's day.

Thou by the Indian Ganges' side

Shouldst rubies find: I by the tide

Of Humber would complain. I would

Love you ten years before the Flood,

And you should, if you please, refuse

Till the conversion of the Jews.

My vegetable love should grow

Vaster than empires, and more slow;

An hundred years should go to praise

Thine eyes and on thy forehead gaze;

Two hundred to adore each breast,

But thirty thousand to the rest;

An age at least to every part,

And the last age should show your heart.

For, Lady, you deserve this state,

Nor would I love at lower rate.

But at my back I always hear

Time's wingèd chariot hurrying near;

And yonder all before us lie

Deserts of vast eternity.

Thy beauty shall no more be found,

Nor, in thy marble vault, shall sound

My echoing song: then worms shall try

That long preserved virginity,

And your quaint honour turn to dust,

And into ashes all my lust:

The grave 's a fine and private place,

But none, I think, do there embrace.

Now therefore, while the youthful hue

Sits on thy skin like morning dew,

And while thy willing soul transpires

At every pore with instant fires,

Now let us sport us while we may,

And now, like amorous birds of prey,

Rather at once our time devour

Than languish in his slow-chapt power.

Let us roll all our strength and all

Our sweetness up into one ball,

And tear our pleasures with rough strife

Thorough the iron gates of life:

Thus, though we cannot make our sun
Stand still, yet we will make him run.



GLOSS: slow-chapt] slow-jawed, slowly devouring.

09 junho 2007

Phyllis et Aristotles (Anonymous)

(s.d.) Queda de Aristóteles, Tapeçaria, Augustiner Museum - Freiburg im Breisgau, Alemanha.


A história que segue foi inventada provavelmente no século XIII no ambiente monástico para falar do poder feminino de sedução e da acochambrada que os homens dão na hora de inventar uma desculpa para os efeitos que esse poder tem sobre eles. Assim, no final, tudo acaba bem e a razão é mais uma vez salva depois de ter sucumbido ao poder do desejo. Posto o que parece ser o original em latim da história, cujo autor é, claramente, um anônimo, por causa das consequências a que seria submetido tendo declarado tais de pensamentos.


Latin:


ARISTOTLES, cum doceret Alexandrum ut se contineret ab accessu frequenti uxoris suae, quae erat pulcra valde, ne animum suum a communi providentia impediret, et Alexander ei acquiesceret, hoc advertens regina et dolens, coepit Aristotelem trahere ad amorem suum, quia multociens sola transibat cum pedibus nudis et dissoluto crine, ut eum alliceret.


Tandem allectus coepit eam sollicitare carnaliter, quae ait,


"Hoc omnino non faciam, nisi videro signa amoris, ne me tentes: ergo veni ad meam cameram, reptando manibus et pedibus, sicut equus me portando, tunc scio quod non illudes mihi."


Cui conditioni cum consensisset, illa intimavit hoc Alexandro; qui expectans apprehendit eum reginam portantem. Quem cum vellet occidere, ait Aristotles sic se excusando,


"Si sic accidit seni sapientissimo, ut a muliere deciperar, potes videre quod bene docueram te, quid accidere potest tibi juveni."


Quod audiens rex, ei perpercit, et in doctrina eius profecit.



English Traslation:



ONCE upon a time, Aristotle taught Alexander that he should restrain himself from frequently approaching his wife, who was very beautiful, lest he should impede his spirit from seeking the general good. Alexander acquiesed to him. The queen, when she perceived this and was upset, began to draw Aristotle to love her. Many times she crossed paths with him alone, with bare feet and disheveled hair, so that she might entice him.


At last, being enticed, he began to solicit her carnally. She says,



"This I will certainly not do, unless I see a sign of love, lest you be testing me. Therefore, come to my chamber crawling on hand and foot, in order to carry me like a horse. Then I'll know that you aren't deluding me."



When he had consented to that condition, she secretly told the matter to Alexander, who lying in wait apprehended him carrying the queen. When Alexander wished to kill Aristotle, in order to excuse himself, Aristotle says,



"If thus it happened to me, an old man most wise, that I was deceived by a woman, you can see that I taught you well, that it could happen to you, a young man."



Hearing that, the king spared him, and made progress in Aristotle's teachings.


AND they lived happily ever after.

28 maio 2007

Ignudo


Eu cobiço,

Tu cobiças,

Ele e Ela cobiçam.

Nós cobiçamos,

Vós cobiçais,

Eles e Elas cobiçam.


(1630-35) Georges de La Tour, Madalena da Luz Noturna, Óleo s/ Tela, 128 x 94 cm, Louvre

27 maio 2007

Mudando o Palette

E porque as musas também se cansam, aproveito a sugestão do amigo Chris para mudar um pouco o visual do Palette. Apanhei muito para conseguir deixar do jeito que vocês estão vendo, pois se de um lado os templates que o blogger oferece são muito toscos, por outro não domino nada de linguagem HTML, o que me obriga a recorrer ao expediente brilhante da tentativa e erro mesmo. Ou seja, passei o final de semana que deveria ter dedicado para trabalhar numa tradução tentando o máximo possível fazer um upgrade no visual desse blog. Vamos ver se agora o novo layout me incentiva a postar com mais frequência aqui. Se alguém quiser comentar o que achou do novo visual, eu agradeço...

25 maio 2007

Para fazer de conta que eu estou bem

Andrew Eccles, Steve Martin, s.d.


Hoje, para fazer de conta que eu estou bem, posto essa imagem do fotógrafo Andrew Eccles aqui no Palette pois tenho achado esse blog muito sem graça últimamente. Tenho preferido, como alguns de vocês talvez podem ter notado, trabalhar com o Melancholy Lakes, meu outro blog sobre a melancolia e suas derivações. Como estou sentindo um tanto de raiva, e um bom tanto de perplexidade, mas não - não mesmo - ciúmes, quis colorir esse blog descolorido com um pouco de vibração, ainda que descontente. A imagem acima, como muitos de vocês devem já ter percebido, faz referência explícita à obra de Edward Hopper. A diferença entre o Hopper e esse Eccles, contudo, parece estar na expressão de Steve Martin - aqui, mais séria e preocupada; diria até, um tanto insatisfeita e perplexa diante de algo que não nos é dado saber pura e simplesmente pela análise da presente imagem. Além dessa diferença expressiva, existe uma outra que é fundamental, e que também pode ser apreciada a partir da contemplação da fisionomia do ator, só que desta vez não se trata apenas da fisionomia em si, mas de sua relação com o ambiente, se é que podemos estabelecer esta diferença. No caso de Hopper, as figuras sempre se encontram mergulhadas totalmente no conjunto dos aspectos naturais da imagem, tais como a luz e as cores. Aqui, a figura de Martin parece estar completamente desligada de qualquer efeito possível que o ambiente possa ter sobre ele. Ele está impassível, diria até apático, em relação ao que o cerca. No fundo, sua expressão nos apresenta tacitamente apenas a certeza da dúvida: "?"

30 abril 2007

Salí Porque Salí

(Autor: Tite Curet Alonso)
(Canta: Cheo Feliciano)
Otra vez sin decir nada de mi
otra vez voy pasando por ahí
donde voy procurando sin hallar
puede ser que te vuelva yo a encontrar.
Otra vez por aquello que soñar
echaré ilusiones a volar
amaré todo cuanto pueda amar
y dejar en el olvido cuanto yo deba olvidar.
Para tí ni siquiera yo tendré
ni quizás la limosna de un mirar
fué mejor sepultar en el ayer
tu lejano amor prohíbido que jamas debió de ser.
Otra vez voy pasando por ahí
otra vez con mi cara tan feliz
si a tu amor yo llegué porque llegué
de tu amor yo salí porque salí. (bis)
Coro:
A tí llegué porque llegué, y salí porque salí
amo cuando pueda amar, sigo andando por ahí.
Por ahí, por ahí voy yo caminado
camino por donde quiera
ami no me digas nada, mama
en esta te quedaste afuera.
Ahora todo es diferente
la cosa no es como era
voy solito, voy contento
ahora me la gozo entera.
Pero que son las cosas del amor
esta cambiando la escena
negrona ya bajó el telón, mira
y comienza otra novela.
~
Estas son cosas que pasan
como me dijo Tite Curet
yo seguiré por mi rumbo
y le deseo mucha felicidad a usted.
Pero la vida es una comedia
esta es la universidad
no va para ningun lado
quien no sabe donde está, oye.
Mira negrona, cada cual por su rumbo
y que seamos felices.
--- Para a Paula, con amor...

07 abril 2007

Duas visões sobre a novidade

"There is no new thing under the sun."

Ecclesiastes, 1:9.


"What moves men of genius, or rather what inspires their work, is not new ideas, but their obsession with the idea that what has already been said is still not enough."

Eugene Delacroix (1798-1863).

23 fevereiro 2007

Um eterno retorno espiralado na busca por uma identidade mais sólida

Gostaria de entender melhor o mistério de tão poucas coisas me chamarem a atenção ultimamente a ponto de eu dedicar-lhes alguma reflexão, por mínima que seja, que sirva enfim para eu publicar aqui. Normalmente tenho a sensação de estar numa espécie de busca por algo. Acontece que a maior parte do tempo eu passo procurando por coisas: músicas, livros, imagens, enfim, algo que me traga alguma informação útil e relevante. Mas o critério do útil e do relevante ai esconde uma outra procura, mais profunda, que normalmente eu não me dou conta, ou pelo menos pareço evitar muitas vezes de encarar de frente. Como ainda estou buscando, ainda não sei ao certo o que vem a ser isso que eu busco, nesse sentido mais profundo, é claro. Poderia chamar de felicidade, plenitude, realização, se isso não soasse muito pronto e acabado, pois essas coisas a gente não alcança diretamente, mas apenas através de algo mais concreto, mais pessoal, acredito. Agora a pouco estava olhando meu email no yahoo e tinha uma propaganda do lado que mostrava fotos de algumas celebridades, como a Cameron Diaz. Na hora me deu um estalo e pensei: é isso o que estou buscando! Me explico antes que haja mal-entendidos: quando olhei a foto do lindo rosto da Cameron, me veio uma sensação de que ali haveria algo, mas não se tratava da Cameron Diaz, quer dizer, ao olhar a sua foto tive a sensação de que não era algo do nível da matéria que estava buscando, mas algo mais espiritual. É óbvio que falar tudo isso para chegar a uma conclusão dessas pode parecer para muitos muito superficial, e esse é exatamente o ponto. Minha vida está passando por algumas mudanças de perspectiva nos últimos tempos, tendo que encarar a necessidade da sobrevivência material. Eu sempre coloquei os assuntos do espírito em primeiro lugar na minha vida, pois nunca precisei me preocupar de verdade com a minha subsistência. Acontece que agora as dimensões estão se cruzando novamente, ainda mais na iminência do começo do Doutorado. E as coisas que eram tão óbvias antes agora já não são, como se eu tivesse que descobrir o que é realmente importante para mim tudo do começo novamente.
Talvez seja assim mesmo, um eterno retorno espiralado na busca por uma identidade mais sólida: semelhança - diferença - nova semelhança; tese - antítese - síntese; o Eu - o Outro - o novo Eu.
O fato é que depois de olhar a foto da Cameron, percebi que não faço a menor idéia do que seja o espírito, a alma, a subjetividade. Isso depois de ter gastado toda a minha adolescência e juventude pensando nisso...

14 fevereiro 2007

Cage of Shadows

A probabilidade dos quase 50.000 acessos a este blog se deverem a algum tipo de conteúdo nele contido deve ser pequena e realmente não me convence, especialmente porque eu tenho tido intervalos enormes entre um post e outro. Isso se deve, em grande parte, ao fato de que eu tenho uma grande dificuldade em postar coisas aqui que sejam de cunho mais pessoal. Paradoxalmente, eu tenho no momento 3 blogs, que pretendia manter atualizados, o que significa que pelo menos eu tenho a intenção de comunicar alguma coisa, seja lá o que isso for. Acontece realmente que eu acabei montando os blogs com o intuito de transmitir algum conteúdo "menos superficial" ou "mais duradouro", e pelo fato de a minha mente ter sido acostumada a funcionar dentro dos parametros do classicismo, isso faz com que eu associe "naturalmente" superficial com pessoal, e duradouro com algo não pessoal.

Naturalmente também que agora eu perceba como isso pode ser um equívoco. Pelo menos as minhas emoções me dizem o contrário, ou seja, que a realidade nada mais é do que multiplicidade infinita, sem muita coisa a agregar cada individualidade debaixo de um denominador comum. Essa situação aparentemente contraditória das minhas emoções em face de algum exercício que eu possa vir a ter de pensamento deve ter sido o fator inconsciente que me levou a escolher o tema do "retrato antigo" para a minha recêm-iniciada pesquisa de doutoramento. Ainda não sei como explicar isso, mas quando falo em retrato estou pensando não apenas nas representações visuais de bustos e estátuas muito comuns no mundo antigo, especialmente a partir do período helenístico e com toda a força no período romano. O "retrato" - e esse é o tema da minha pesquisa - engloba outras dimensões do discurso como a biografia de imperadores, os tratados de retórica e, dentre outras dimensões, as concepções dos antigos sobre a alma e o corpo, presentes em tratados filosóficos como o De Anima, do Aristóteles.

No lugar de encontro desses gêneros do discurso antigo, no ponto onde todos eles se cruzam, se encontraria a categoria do "retrato antigo". O aspecto interessante e ao mesmo tempo problemático dessa noção de encontro ou cruzamento de gêneros na antiguidade é o fato de que essas noções mesmas de "cruzamento" e "encontro" remetem o pensamento antigo inevitavelmente para a questão da unidade do Ser, questão que é "resolvida" de formas diversas segundo cada autor ou tradição considerada. A questão que fica é a seguinte: seria possível identificar e descrever a forma como cada uma dessas filosofias concebem o retrato ou, o que seria mais prático e metodologicamente mais correto numa pesquisa de cunho histórico, seria possível identificar qual a concepção filosófica predominante por trás de um retrato ou conjunto de retratos concretos? No fundo uma questão implica na outra...

Mais interessante também é o meu movimento inconsciente de passar de um discurso pessoal para um discurso pretensamente "científico", "neutro", onde as questões que eu não consigo formular no nível pessoal são reelaboradas em outro nível, como se ao fazer isso eu estivesse tentado cruzar a minha identidade pessoal incerta e fugidia com algo que faz parte de uma longa tradição, cujos elementos poderiam me dar a sensação de estar constituindo a minha identidade no presente, diante da percepção de uma realidade fragmentada e multicafetada.

É engraçado, mas esse exercício metalinguístico me soa como estar diante de um espelho, contemplando a minha própria imagem, mas o que eu vejo não é igual ao que eu sou, ao que eu "mostro" ao espelho, pois de alguma forma existe algo além de mim mesmo e de minha "pura imagem refletida" que interfere nessa bricolagem de reflexos e reflexões infinitas através do qual o que no fundo acontece é uma incessante produção do si mesmo, do eu, do mundo e da sombra do eu no mundo e do mundo no eu.

22 outubro 2006

Choro No. 1 - Villa-Lobos
Julian Bream Fantasia X

12 outubro 2006

Pra começar

Ótimos exercicios...
Free Hugs Campaign. Inspiring Story! (music by sick puppies)

Roubado com um abraço de um amigo... Obrigado Igor!

19 setembro 2006

Os Consultores e o Pensamento Oriental

Segue uma mensagem interessante sobre o poder da subjetividade em determinar os nossos caminhos. Os orientais tem a mesma concepção. Infelizmente, aqui no ocidente, as pessoas estão acostumadas a achar que quando a gente pensa algo a respeito de algo ou alguém, esse pensamento diz respeito à coisa pensada e não ao sujeito pensante. No fundo é uma forma tosca de gnosiologia que passa por cima de Kant e outros carinhas. No oriente a coisa é mais radical: não existe separação entre sujeito e objeto, já que em última medida o objeto é sempre resultado da operação do sujeito sobre o mundo. Em termos ocidentais, mesmo kantianos, é dificil de entender isso, porque se supõe que o mundo tenha uma realidade independente do sujeito. Hegel é mais próximo do oriente do que se pensa. É engraçada a curva Descartes-Kant-Hegel, para depois dobrar de novo com o Marx, só que para o sentido contrário. Nada como o Tao para entender como as coisas vão e vem...


"Era uma vez uma indústria de calçados que desenvolveu um projeto de exportação de sapatos para a Índia. Em seguida, mandou dois de seus consultores a pontos diferentes do País para fazer as primeiras observações do potencial daquele futuro mercado. Depois de alguns dias de pesquisas, um dos consultores enviou o seguinte fax para a direção da indústria:
"SENHORES, CANCELEM O PROJETO DE EXPORTAÇÃO DE SAPATOS PARA A ÍNDIA. AQUI NINGUÉM USA SAPATOS. "
Sem saber desse fax, alguns dias depois o segundo consultor mandou o seu:
"SENHORES, TRIPLIQUEM O PROJETO DA EXPORTAÇÃO DE SAPATOS PARA A ÍNDIA. AQUI NINGUÉM USA SAPATOS AINDA ."
MORAL DA HISTÓRIA: A mesma situação era um tremendo obstáculo para um dos consultores e uma fantástica oportunidade para outro. Da mesma forma, tudo na vida pode ser visto com enfoques e maneiras diferentes. A sabedoria popular traduz essa situação com a seguinte frase:"OS TRISTES ACHAM QUE O VENTO GEME; OS ALEGRES, ACHAM QUE ELE CANTA."O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida faz toda a diferença!!!!"